Reportagem reconstitui encontro ocorrido em Brasília, em julho de 2020, e aponta conexões entre empresários interessados em negócios com o governo federal e o senador
Redação
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| Flávio Bolsonaro: agrados de dois homens que falavam em nome do laboratório indiano e queriam produzir a vacina Covaxin no Brasil |
Uma reportagem da revista piauí revelou detalhes de um passeio de lancha realizado em 17 de julho de 2020, no Lago Paranoá, em Brasília, que teria reunido o senador Flávio Bolsonaro, empresários ligados às negociações da vacina Covaxin e outras pessoas.
Segundo a publicação, o encontro foi organizado por empresários interessados em ampliar suas relações com o governo federal durante a gestão do então presidente Jair Bolsonaro. A reportagem relata que três garotas de programa também participaram da viagem.
Rolex teria sido entregue ao senador
Um dos pontos que mais chamam a atenção na investigação jornalística é o relato de que o empresário Danilo Trento teria retirado um relógio Rolex do próprio pulso e o entregado a Flávio Bolsonaro ao final do passeio.
A revista também descreve a participação de Francisco Maximiano, proprietário da Precisa Medicamentos, empresa envolvida nas negociações para a aquisição da vacina Covaxin, e de Raphael Barão, responsável pela organização da viagem.
Relação com as negociações da Covaxin
A reportagem contextualiza o encontro em meio às tratativas para a compra da vacina indiana pelo governo federal. O contrato da Covaxin tornou-se alvo de questionamentos e investigações durante a CPI da Pandemia, em 2021.
De acordo com a publicação, o relatório final da comissão parlamentar recomendou o indiciamento de 78 pessoas, entre elas Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e Francisco Maximiano.
A revista também relembra que, meses depois do passeio, Flávio participou de uma reunião com o então presidente do BNDES, Gustavo Montezano, para apresentar uma proposta empresarial de Francisco Maximiano. Na ocasião, o banco informou que não houve contratação de financiamento.
O que dizem os envolvidos?
Até o fechamento da reportagem, Flávio Bolsonaro não havia se manifestado sobre os detalhes apresentados pela revista. Danilo Trento não respondeu às ligações e interrompeu a comunicação após receber informações sobre os pontos da apuração. Os advogados de Francisco Maximiano também não haviam respondido.
A reportagem informa que sua reconstituição foi baseada em entrevistas, documentos, registros de voos e informações relacionadas a quebras de sigilo encaminhadas a comissões parlamentares.
O caso reacende o debate sobre as relações entre agentes públicos, empresários e interesses privados durante a pandemia de Covid-19.
Fonte: revista piauí.

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